quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

81% COMPETENTE



Não me canso de ficar atônito com a capacidade de distorcer fatos exibida, sem qualquer constrangimento, por alguns de nossos políticos.
Ontem mencionei o contorcionismo do ministro Fernando Bezerra, que considerou excelente o cronograma das obras da transposição do rio São Francisco. Um atraso de apenas quatro anos torna-nos, em sua visão, os segundo melhores planejadores e executores de grandes obras do mundo, logo depois dos chineses.
O chato é o cronograma da realidade, que logo revela a baboseira…
Pois os chineses inauguraram ontem o serviço regular de trens de alta velocidade ligando Beijing a Guangzhou (2,5 mil quilômetros). A decisão de construí-la foi tomada em 2005.
O nosso trem-bala – que uma vez pronto, sabe Deus quando, terá cerca de 600 km -  continua empantanado na papelada. Sua construção foi proposta em 2008, no Plano de Mobilidade Urbana para a Copa de 2014.
Mas não vim falar hoje do Ministro Bezerra ou do nosso projeto do trem-bala. Gostaria de propor o nome do prefeito de São Paulo (por mais alguns dias), Gilberto Kassab,  para coordenador-geral das obras do PAC. O cargo é importante, mas Kassab certamente não terá dificuldade maior em consegui-lo. Primeiro é qualificado para isso, como engenheiro e economista.
Também não vejo impedimentos na esfera política. Primeiro, já anunciou seu apoio “pessoal” à recandidatura de Dilma à Presidência da República em 2014. Segundo, prepara  agora a consulta interna do partido que criou, o PSD, para institucionalizar o mesmo apoio. Terceiro, Kassab é incomparável na gestão da informação.
Não é que saindo da Prefeitura  de São Paulo com a pior avaliação em fim de mandato desde a gestão Celso Pitta (de quem, aliás, foi secretário de planejamento)  Kassab considerou um sucesso ter alcançado 81% de eficácia em seu plano de metas! Aos jornalistas presentes declarou, sem corar, ser normal que um plano de metas não atinja 100% dos resultados.
Chegou a comparar a administração de uma prefeitura com o orçamento doméstico, em que, no início do ano as pessoas  estabelecem metas, que vão sendo adaptadas no correr do tempo.
Kassab é certamente o que falta ao Governo.  Desde a saída de Lula, ficou mesmo  faltando alguém capaz de  entusiasmar a opinião pública com base no palavrório sem compromisso com a realidade, vendendo o insucesso como sucesso.
E os pepinos, as promessas não cumpridas, as obras não concluídas, vão ficando pelo caminho.

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