segunda-feira, 24 de agosto de 2015

NOTA DO SINDICATO DOS POLICIAIS CIVIS DE PERNAMBUCO

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 "Nossas vidas começam a perder o sentido, no dia em que ficarmos calados diante de coisas que importam" - Martin Luther King.
 Na semana em que o SINPOL (Sindicato dos Policiais Civis) colocou cruzes na orla de Boa Viagem, denunciando à sociedade o número de vítimas de assassinato no Estado, representantes anônimos do governo foram à imprensa afirmar que a Polícia Civil faz greve branca, numa tentativa clara de negar a verdade e colocar a população contra os policiais, como se fosse nossa a culpa pela má gestão da segurança pública.
 Com a notícia da chegada da presidente Dilma Rousseff (PT) ao Estado, inicialmente visitando o município de Cabrobó, onde a Delegacia Seccional corre sério risco de despejo, haja vista o proprietário do imóvel já ter acionado a justiça pedindo a devolução do prédio, o SINPOL mais uma vez mobilizou a base para realizar um protesto, quando de sua passagem pela capital, na última sexta-feira (21), quando esteve acompanhada do Governador Paulo Câmara (PSB).
 Com os cortes dos investimentos federais e estaduais nas áreas de saúde, segurança e educação os pernambucanos sentiram de imediato as consequências. O objetivo é aumentar o superávit primário, o que nada mais é que a tentativa de se conter o crescimento da dívida pública pagando os seus juros aos grandes credores. Este é o motivo pelo qual 43% do PIB brasileiro é destinado aos pagamentos de títulos da dívida.
 Como Sindicato de Trabalhadores, não poderíamos deixar de protestar contra este arrocho fiscal, que atinge diretamente as contas de Pernambuco e contribui para que estejamos dentro dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.
 Por este motivo fomos para a frente da Federação das Indústrias de Pernambuco - FIEPE, onde a Presidente e o Governador se reuniram com ministros, deputados e empresários. O protesto contra o sucateamento da Polícia Civil e pela valorização de seus profissionais era o tema e ocorria sem qualquer transtorno à população até que oficiais do 16º Batalhão da Polícia Militar, sob ordens da equipe de segurança da presidente, tentaram desligar o som que o sindicato utilizava, alegando que estava atrapalhando o encontro.
 Não houve qualquer confronto, nem xingamentos de quaisquer das partes. Contudo, o SINPOL manteve a postura firme de não aceitar que um direito constitucional lhe fosse negado, inclusive à população que estava presente, acompanhava e aprovava nosso ato.
 A própria equipe de segurança da presidente chegou a afirmar que não importava que parássemos o trânsito, desde que fizemos nosso protesto em "silêncio", o que evidenciou que a preocupação era não incomodar os participantes do encontro, mesmo que para isso todo o trânsito fosse parado.
 A democracia, a qual ainda estamos aprendendo a exercitar, garante-nos o direito de reivindicarmos e nos fazermos ser ouvidos pelos nossos "representantes", até porque, como servidores do povo, precisam governar para ele e sob às regras e diretrizes que ele lhes der, sendo obrigados a nos ouvir, ainda mais com tantos desmandos e descaso para com a população nos últimos tempos, em todas as esferas do poder. Será que devemos nos calar?
 O Governo Federal é co-responsável pela segurança, juntamente com o Governador, para quem as críticas foram igualmente dirigidas. Não estávamos lá para defender impeachment, tampouco para ofender quem quer que fosse, mas, para cobrarmos investimentos na segurança pública e externarmos a situação degradante pela qual passa a PCPE, o que contribui a alta criminalidade no estado.
 Os Policiais Militares foram mobilizados para o local e a absoluta maioria deles compreendeu e aprovou o ato do SINPOL, afirmando que esta é uma luta de todos nós, manifestando, inclusive, reservadamente, que gostariam de poder participar, o que não podiam pelas limitações de sua instituição. Saíram de lá cumprimentados e aplaudidos por nós.
 Respeitamos e sempre respeitaremos a instituição Polícia Militar, em especial os nobres policiais que a compõe. Não buscamos nem queremos colocar as duas polícias em confronto, até porque nossas causas em muito se assemelham. Somos forças policiais que possuem atribuições distintas e bem definidas e que se complementam, mas, não poderíamos aceitar e não aceitaremos, que pressões possam calar a voz legítima e democrática da categoria policial civil, buscando a melhora da segurança pública e chamando os responsáveis por ela para cumprirem suas obrigações de gestores governamentais. Nossa luta é por mais estrutura de trabalho, melhores salários e serviços públicos de qualidade para o povo pernambucano.
 Tramita na Assembleia Legislativa o projeto de Lei Ordinária Nº. 191/2015 de autoria do deputado Antônio Moraes, o qual estabelece que qualquer manifestação, ato público, protesto ou mobilização social deve ser comunicada com ao menos 72h de antecedência à SDS e a autoridade de trânsito do município, o que é uma clara afronta ao princípio democrático e constitucional de que é livre a manifestação popular pacífica e ordeira. Esta é uma demonstração governista de que os movimentos sociais em especial as atuações do SINPOL, tem contrariado os interesses daqueles que gostariam de esconder a nossa triste realidade.
 Não podemos deixar que tais ataques aos direitos sociais passem despercebidos, pois eles nos atingem diretamente. Com a mesma coragem com que nos dispusemos a participar da eleição sindical, recebendo a responsabilidade de representar a todos os policiais civis e obtendo sua confiança, manteremos nossa postura firme em defesa de nossos interesses, procurando dialogar com a sociedade, com a imprensa, com os diversos órgãos da administração pública, em todas as esferas, bem como com as demais entidades representativas de classes.
 O SINPOL tem empreendido esforços para, com apoio da população, despertar as autoridades para o estado caótico em que se encontra nossa instituição, vilipendiada e o desprestigiada, apesar de sua enorme relevância social. Por este motivo, temos solidariamente apoiado à luta dos trabalhadores de todas as áreas que nos procuram como profissionais de referência que somos. Nenhuma entidade sindical que compreenda sua missão e função social poderá jamais se isolar da sociedade.
 O SINPOL continua atento às pautas da categoria Polícia Civil e por ela tem trabalhado dia e noite, num esforço enorme de dedicação e persistência, e por isso se tornou referência em inteligência, organização e articulação.
 No mundo sindical e fora dele há os que nada querem fazer. Há os que tudo que fazem é comentar do que é feito. Há os que só lançam suas frustrações em redes socais. Há os que não se atém a realidade, por não se aprofundarem na reflexão das coisas que realmente importam. Há os que pleiteiam bravamente atrás de paredes, mas não têm a mesma disposição para irem à frente, expondo suas convicções e suportando o contraditório. Há ainda os que podem resumir tudo a questões partidárias, enxergando o mundo em dualidades intermináveis e vaidades incontroláveis. E há aqueles que ao verem erguidas, da justiça, a clava forte, como filhos, não fogem à luta.

Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco - SINPOL

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