segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O sangue artificial vem aí



Entre as várias possibilidades de pesquisas proporcionadas pelas células-tronco – capazes de se transformar em qualquer outro tipo de célula do humano – está a criação de sangue artificial. Cultivadas em laboratório, essas células sanguíneas evitariam uma série de problemas hoje afetando as transfusões, como o risco de transmissão de infecções, a incompatibilidade com o sistema imunológico do receptor e a possibilidade de excesso de ferro no sangue do doador. Além disso, teriam a grande vantagem clínica de ser mais novas e ter mais longevidade do que o sangue colhido de doadores – as células naturais duram apenas cerca de cem dias em nosso corpo e, por isso, muitas daquelas doadas às vezes morrem em seguida, não tendo utilidade.

Um consórcio de universidades e órgãos do governo britânico planeja iniciar a primeira bateria de testes deste sangue artificial em 2016 ou o mais tardar 2017. Uma equipe da Universidade de Edimburgo, Escócia, encarregada da pesquisa, utiliza a técnica que cria células do sangue a partir de células-tronco pluripotentes induzidas, também conhecidas como células iPS ou iPSCs. Por esse artifício, as células doadoras são isoladas e cultivadas. Posteriormente, transferem-se para elas os genes das células-tronco associadas por meio de vetores virais. Ao fim do processo, as células-tronco pluripotentes induzidas são estimuladas por uma substância química para se transformar em células do sangue do tipo O, raro e universal.


Outras instituições ao redor do mundo também pesquisam o sangue artificial, mas apenas a equipe de Edimburgo conseguiu uma eficiência de 40% a 50% na transição de células iPS para células sanguíneas, em processo que levou cerca de 30 dias. Além disso, os resultados asseguraram a qualidade apropriada e os padrões de segurança requeridos para uma transfusão. Embora otimistas, os cientistas acreditam que ainda levaremos mais de uma década até chegar ao sangue artificial produzido em escala industrial e acessível a todos.

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