domingo, 27 de setembro de 2015

UM PAÍS FORA-DA-LEI

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Para este locutor que vos fala, tudo começa por esse maldito 99 no final dos preços das mercadorias. Isso é nojento. É golpe, como diz Dilma Golpousseff. E sem que haja qualquer providência. E tome pó de café moído com palha de arroz por 7,99, gordura trans no formato de biscoitos por 2,99, Leite integral com água por 3,99 e outros e todos, como exemplo.
No idiotês, que é a linguagem falada entre o comércio e o consumidor no Brasil, isso tem um significado acachapante (eu disse que um dia conseguiria escreveria essa palavra num texto) e que coloca definitivamente as coisas nos seus devidos lugares.
De um lado o comerciante impondo sua máxima de verdade discutível: “nós, os inteligentes, estamos levando vossa senhoria na conversa, tentando baratear falsamente o preço desse produto. Esse 99 aí não significa porra nenhuma”; do outro, o pobre consumidor, maravilhado com a possibilidade de estar se aproveitando da bobeira dada pelo estabelecimento e, por isso, comprando até sem necessidade.
Eu já vi isso até numa revendedora de carros importados. Uma imensa placa fazia um reclame, no meu entender, desgraçadamente imbecil: Leve esta Mercedes, com isto, aquilo, um boquete da morena da propaganda e uma calcinha da mulher do Temer, por somente $ 399.999,99. Daí eu pergunto: é ou não é para lascar o cabeçote da buzanfânica?
Mas isso é o de menos. Tem comerciante bonzinho por aí que vende em até 10 pagamentos sem juros. Isso em um país onde o cartão de crédito enfia um pau na nossa bunda, de calibre equivalente a 400% de juros por ano.
Tem gente que vende e não entrega. E eu mesminho fui vítima de um desses golpes. Comprei um jogo de sofá e nunca recebi nadica de nada. E não foi por falta de luta, afinal lutei bravamente para ver se conseguia o que era meu, desde o momento do pagamento. Mas, como no meio do caminho havia uma pedra, a empresa quebrou e eu dei com os costados n’agua.
E isso não para por aí. Se os comerciantes brasileiros são safados, a indústria, como um todo, também o é, inventando mil maneiras de aumentar lucros, diminuindo ou a qualidade ou o tamanho ou o preço dos seus produtos, pra ver se consegue respirar em meio à fome do leão papatudo que não dá trégua. Isso sem contar com outras dificuldades como transporte por estradas mais esburacadas do que o cu do Jean Willy e outras e outras e outras incontáveis dificuldades.
E aqui ficam incluídas todas as prestadoras de serviço que nos roubam descaradamente a cada segundo do dia. Timganaram, Claro que tu é tonto, Vivo demais da conta e Ói a mão no borso, roubam ininterruptamente e com péssimos serviços e odiosos sistemas de atendimento.
E aqui ficam inclusos o resto da cornaiada toda e o diabo a quatro.
O povo também está no rol da safadagem e da patifice. Algumas vezes por pura defesa e, por outras, por puro costume de desobediência ao bom senso e à lógica. Bebe-se antes, durante e depois de dirigir. Fura-se filas. Faz-se gatos de tvs a cabo e energia elétrica e água e o caralho.
Só até aqui já estão inseridos mais de 90% de toda a população do País, que perto dos 10% restante não passa de cafajestinhos pequenos, patifinhos minúsculos e ladrõeszinhos sem significado.
Sim, porque os picas grossas da ladinagem estão no andar de cima, lá onde ficam os deuses intocáveis e capazes de, insensivelmente, não se deixarem envolver com a tal da miséria humana.
O andar dos podres, dos nojentos, dos asqueirosos.
O andar da porcina que os despreparados chamam de poder.
Dos leitões venais que engordam cofres a partir das tetas da porca mãe.
Das mentes pútridas apodrecidas por ganâncias vergonhosas e alimentadas por dinheiro roubado, que bem serviria ao alimento de famílias famintas ou de remédios para moribundos frequentadores disso que a canalhice brasileira chama de saúde pública.
Nesse caldeirão de receitas satânicas estão nossos demônios legisladores, que legislam em causa própria e acham que o Brasil é apenas o que suas ambições podem ver nos altos escalões de Brasília.
Deputados canalhas e despudoramente ilícitos e safados na luta pelo poder. Deputados que compram votos. Deputados que negociam por vantagens e que participam da conivência com as propinas, os superfaturamentos, mensalões e pixulecos.
Senadores odiosos, dos quais todo o Brasil tem nojo. Senadores cujo padrão político é a participação nos infames troca-trocas de moral e postura por dinheiro e poder.
Coloquem nessa pocilga nossas religiões. Nossos padres, nossos bispos e nossos pastores. Estes últimos se locupletando do escasso dinheiro da pobreza, em nome de negociatas feitas com Deus, como se isso fosse possível.
Partidos políticos torpes. Líderes políticos desalinhados com a honestidade. Magistrados vendidos, totalmente desvinculados da lei e da justiça. Governantes ímprobos. Presidentes despreparados, loucos e deslocados das necessidades do povo que os elegeu.
Nada é honesto neste País. Absolutamente nada.
Somos uma imensa quadrilha, sem ordem e sem progresso.
Um País fora-da-lei.
                            

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