quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

A decadência de uma Rádio

O meio rádio virou uma imensa Torre de Babel, onde ninguém mais se entende, ninguém mais consegue sobreviver com a antiga e tradicional dignidade que sempre nos fez orgulhosos de sermos ouvintes.
Recentemente tive de ouvir uma emissora de rádio que coloca no ar uma programação própria, com alguns puxa-sacos. Pude constatar, ao me envolver com a pauta e o conversado de merda, que a terceirização é um dos grandes males do rádio e um dos fatores que o levaram ao final da lista dos meios de comunicação com o menor faturamento e baixa respeitabilidade. A terceirização é literalmente uma antropofagia, em que o terceirizado “come”, destrói a essência de sua atividade para tentar sobreviver.
Por que isso acontece?
Geralmente o dono da rádio, quase sempre um oportunista incompetente, não quer investir, não vê no seu meio de comunicação um empreendimento rentável e, se não vende para uma igreja evangélica acaba “picotando” o horário da emissora alugando espaços para quem quiser e tiver dinheiro no final do mês para pagar.
Se, por um lado a terceirização resolveu os problemas financeiros do dono da rádio incompetente, por outro lado criou um monstro que vai ao mercado vender seu espaço por qualquer dinheiro, desvalorizando o veículo, desmoralizando o mercado e destruindo a credibilidade.
A linha editorial, geralmente é comprometida. Quem paga leva. Vereadores, prefeitos, comerciantes oportunistas, todas as aves de rapina de olho na carniça acabam caindo em cima dos programas terceirizados, pagando por entrevistas, por elogios fáceis, sustentando no ar esses radialistas, alguns aventureiros vindos de cidades vizinha, muitos inconsequentes e a maioria desempregada, cuja única alternativa de sobrevivência é mesmo arrendar um horário e cair no mundo com a sua zoada se achando o dono da verdade.
Sem compromisso com a verdade, com a informação isenta, com a qualidade e investimento, esses terceirizados também “re-terceirizam” seus horários. Essas pessoas também precisam ir ao mercado arrancar uma verba publicitária para poder se remunerar, o que acaba provocando um aviltamento maior ainda no já combalido e prostituido mercado publicitário local. Muitos mendigam dinheiro para o pão ou o transporte, em troca de uma entrevista, de um “alô” para o anunciante no ar, coisas humilhantes assim.
Se tais terceirizações são legais ou não, nunca ninguém se manifestou. O ministério e todas as instâncias que fiscalizam os meios de comunicação nunca agiram contra essa prática que já é rotineira e até existem especialistas que criam sofismas legais para burlar a legislação.
As consequências são visíveis: o rádio é o último no ranking das verbas publicitárias; perdeu a qualidade e a credibilidade; não consegue criar novos programas, novos comunicadores e atrair ouvintes, vem perdendo ouvintes assustadoramente.
Os terceirizados dizem que os horários são relativamente caros e que, para pagá-los no final do mês precisam faturar do jeito que der e ainda sobrar dinheiro para sobreviver. Enfim: cada um tem sua justificativa, seu motivo.
Como consequência, o meio rádio na nossa terrinha virou uma imensa Torre de Babel, onde ninguém mais se entende, ninguém mais consegue sobreviver com a antiga e tradicional dignidade que sempre nos fez orgulhosos de sermos ouvintes.
Penso que precisamos urgentemente repensar o rádio, numa ação tripartite, onde os bons comunicadores e pensadores do rádio tivessem maior peso, juntamente com representantes sérios do município e as grandes empresas locais. Possivelmente encontraríamos uma saída digna para esse nosso tão combalido rádio, que, apesar de toda evolução tecnológica ainda é o mais importante meio de comunicação no país.

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